Amanhã vou visitar o teu monte
Morar contigo no meio da planície
Viver à beira do regato
Cheirar a hortelã e contemplar-te
Amanhã vou fazer o teu retrato
Amar a noite e contar os luzeiros
Porque tu tremes sob o teu xaile
Envoltos no abraço
Vou chamar o cão, atropelar os pardais
esvoaçar com os gansos e as galinhas
até dormir na fonte
Semi cerrar os olhos
E fazer amor contigo com sabor a romã
E cheiro a erva fria.
Vou semear encontros
Colher raminhos de ternura
E salpicar o teu rosto
Com as lágrimas dos nossos beijos fim-de-tarde
Enquanto sentimos repousar o horizonte
escutamos o fervilhar contínuo da ribeira
Nesta noite de grilos e piar de corujas
Amanhã? Vou fingir que não há
Vou beber um pouco do teu vinho
Cortar o teu pão
Por fim só me restará partir rumo às serras
Onde as cidades não existem.
Francisco Naia, Inédito
sábado, 6 de setembro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário